Miguel Portas admite que o Bloco de Esquerda é um partido «que se faz de o país estar em crise há oito anos». O crescimento desta fatia da esquerda em tempestades é óbvio. E é precisamente nestas alturas que a sua importância se vê confrontada com um dilema: o de avançar como poder ou conservar a influência de contrapoder. Um exercício de contrapoder que roça o niilismo - como André Freire considera no Público de hoje, «contrapoder porque não querem partilhar o poder, querem apenas influenciar» - e que, como já referi, visa o estrangulamento ideológico. O BE pode e vai capitalizar com os que se sentem desiludidos - traídos - com o PS. Não porque se tem destacado por um pragmatismo político minimamente consistente e atractivo, mas por ser o porto de abrigo de crescentes vozes de protesto. Ao BE falta aquilo que José Manuel Fernandes pertinentemente nota: «[ser] um partido com mundividência para o presente e para o futuro». Sou mais sucinto e frontal: precisa de ser um projecto sério. Não basta rogar pragas. E isto estende-se ao resto do mundo - Europa à cabeça. Num artigo publicado na última Newsweek, Denis MacShane falava das explosões sociais na Europa que têm flirtado com a esquerda radical:
«Europe's protesters may have reason to feel let down by the policies of their leaders. But those angry need to offer more than slogans and noise in response. Europe's new activists have yet to answer Lenin's question: "What is to be done?". Which means that what looks like a leftist revival may end up where the last one did».
Se uma força ideológica exige legitimidade para pertencer à malha político-partidária, há que apresentar a casa limpa. O BE perdura no caos - não é por acaso que ainda não possui um eleitorado fiel. Dêem-lhes vassouras.
«Europe's protesters may have reason to feel let down by the policies of their leaders. But those angry need to offer more than slogans and noise in response. Europe's new activists have yet to answer Lenin's question: "What is to be done?". Which means that what looks like a leftist revival may end up where the last one did».
Se uma força ideológica exige legitimidade para pertencer à malha político-partidária, há que apresentar a casa limpa. O BE perdura no caos - não é por acaso que ainda não possui um eleitorado fiel. Dêem-lhes vassouras.
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