Em 2008, mais de 3.000 rockets do Hamas atingiram o sul de Israel. A 15 de Dezembro, vários dirigentes do Hamas anunciaram que o cessar-fogo não seria renovado; entre 19 a 27 do mesmo mês, novos bombardeamentos varreram o território israelita. Juntamente com o Hezbollah, o Hamas é um movimento extremista que recebe miminhos do Irão e, juntos, agem num ciclo pavloviano de anarquia. No mês passado, o Euronews dava conta de que «desde que o Hamas tomou o controlo da Faixa de Gaza em Junho de 2007, que os palestinianos vivem encurralados [porque] Israel fechou praticamente todos os pontos de abastecimento por onde passavam alimentos, combustíveis e produtos de primeira necessidade». Escapou uma pequenina peça: o porquê do bloqueio. Israel fê-lo para travar o fluxo contínuo de tráfico de armas e contrabando no território. Estimulando a tensão, a comunidade internacional soa hipócrita à medida que exige maior pressão por parte dos países árabes. Não é só pela complexidade dos interesses em conflito - Egipto à cabeça -; é, sobretudo, pelo facto de estarem cercados - ou apoiarem, ou estarem comprometidos e simplesmente fecharem os olhos - por territórios unidos pela crença numa legião fundamentalista. Reduzir este conflito a uma questão bilateral, em que as duas partes devem ceder para que um novo cessar-fogo seja estabelecido, é ignorar que se está perante uma rede de múltiplos actores envolvidos.
De resto, o Hamas sempre desprezou a população de Gaza. Os palestinianos são utilizados como escudos humanos e tem-se o cuidado atroz de instalar infra-estruturas e armazenar equipamentos bélicos em edifícios civis - é precisamente por isso que isto acontece. Como o escritor israelita Amos Oz notou há alguns dias no Público, «para o Hamas, se morrerem israelitas inocentes, isso é bom; se morrerem palestinianos inocentes, é ainda melhor». Gaza está mergulhado num niilismo sanguinário mas é necessário lembrar que, apesar de se ter deixado levar pela retórica anti-judaica e incorruptível, o povo elegeu o Hamas em 2006. Por mais que o mundo se esforce pela resolução, cabe à casa limar as arestas. Esta ideia foi sintetizada de forma notável por Adi Dvir no Yedioth Ahronoth:
«Just as a crying baby who only elicits pity will continue to cry, the citizens of Gaza will continue to cry out to the world instead of taking matters into their own hands. As long as they are told that they are helpless victims or mere pawns at the hands of terrorists, Gazans will only see their suffering prolonged.»
«Yet before the people of Gaza are able to build, Hamas must be obliterated. Moreover, Hamas' ultimate defeat must not be at the hands of the IDF, but rather, it is an endeavor that must be undertaken by Gaza residents themselves. After all, Hamas is the true reason for their misery. »
Já se deveria saber que a vigilância de organizações internacionais na mediação de conflitos e na manutenção da paz é consideravelmente frágil. O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Miliband, disse ainda há pouco no Conselho da ONU que a crise interminável do Médio Oriente é prova do «falhanço colectivo» da instituição. A História prova-o: interromper crises é prolongá-las. Na entrevista de hoje ao Haaretz, Ehud Olmert vai nesse sentido ao clarificar a sua posição:
«The prime minister told the group of visiting European foreign ministers that Israel was "tired of gestures," as the Israel Defense Forces continued its ground offensive deep into the Gaza Strip. "We honored the cease-fire despite being fired at on a daily basis," Olmert said. "Now is the time for action. We are ready for a cease-fire only in exchange for actions, not empty words."»
Os métodos de guerra sempre envolveram possíveis danos colaterais em civis. Inevitável. Meio mundo está a aprender a repugnar Israel, que iniciou (?) o conflito com legitimidade. Previsível.
De resto, o Hamas sempre desprezou a população de Gaza. Os palestinianos são utilizados como escudos humanos e tem-se o cuidado atroz de instalar infra-estruturas e armazenar equipamentos bélicos em edifícios civis - é precisamente por isso que isto acontece. Como o escritor israelita Amos Oz notou há alguns dias no Público, «para o Hamas, se morrerem israelitas inocentes, isso é bom; se morrerem palestinianos inocentes, é ainda melhor». Gaza está mergulhado num niilismo sanguinário mas é necessário lembrar que, apesar de se ter deixado levar pela retórica anti-judaica e incorruptível, o povo elegeu o Hamas em 2006. Por mais que o mundo se esforce pela resolução, cabe à casa limar as arestas. Esta ideia foi sintetizada de forma notável por Adi Dvir no Yedioth Ahronoth:
«Just as a crying baby who only elicits pity will continue to cry, the citizens of Gaza will continue to cry out to the world instead of taking matters into their own hands. As long as they are told that they are helpless victims or mere pawns at the hands of terrorists, Gazans will only see their suffering prolonged.»
«Yet before the people of Gaza are able to build, Hamas must be obliterated. Moreover, Hamas' ultimate defeat must not be at the hands of the IDF, but rather, it is an endeavor that must be undertaken by Gaza residents themselves. After all, Hamas is the true reason for their misery. »
Já se deveria saber que a vigilância de organizações internacionais na mediação de conflitos e na manutenção da paz é consideravelmente frágil. O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Miliband, disse ainda há pouco no Conselho da ONU que a crise interminável do Médio Oriente é prova do «falhanço colectivo» da instituição. A História prova-o: interromper crises é prolongá-las. Na entrevista de hoje ao Haaretz, Ehud Olmert vai nesse sentido ao clarificar a sua posição:
«The prime minister told the group of visiting European foreign ministers that Israel was "tired of gestures," as the Israel Defense Forces continued its ground offensive deep into the Gaza Strip. "We honored the cease-fire despite being fired at on a daily basis," Olmert said. "Now is the time for action. We are ready for a cease-fire only in exchange for actions, not empty words."»
Os métodos de guerra sempre envolveram possíveis danos colaterais em civis. Inevitável. Meio mundo está a aprender a repugnar Israel, que iniciou (?) o conflito com legitimidade. Previsível.
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